21 de abr de 2010

Álcool e compras em excesso podem indicar crise de meia-idade feminina

 A chamada crise da meia-idade sempre foi associada à figura masculina e encontra seus principais indícios em comportamentos como mudança de visual com intenção de parecer mais jovem, começar a malhar de maneira exagerada, comprar um carro esportivo ou começar a namorar mulheres muito mais novas, alguns ainda casados.
Mas a fase não é exclusiva do sexo masculino e também pode não ser tão fácil de identificar. O termo cunhado pelo psicólogo Elliott Jaques, na década de 1960, para descrever mudanças na vida das pessoas na meia-idade, nunca encontrou respaldo significativo em pesquisas, mas o tema é tratado por Carl Jung e tem até citação na "Divina Comédia" de Dante Aligheri.
O assunto tem ganhado mais espaço tendo as mulheres no centro. Tédio, sensação de inutilidade, solidão ou falta de sentido na vida, depressão, ansiedade, além de aumento no consumo de bebidas alcoólicas, troca constante de emprego ou parceiros, ou consumo compulsivo, podem estar associados à crise da meia-idade feminina.
A perda de um parente, divórcio, diagnóstico de uma doença ou síndrome do ninho vazio também podem ser o estopim da crise.

Mais suscetíveis

Segundo Tatiana Filomensky, psicóloga do Ambulatório Integrado dos Transtornos do Impulso do Hospital das Clínicas de São Paulo, as mulheres estão ficando mais suscetíveis, porque agora vivem sob enorme pressão para serem bem-sucedidas no trabalho e em casa.
"Mulher está no mercado, faz o que os homens faziam, está inserida na vida social", afirmou.
Mesmo assim, a especialista alerta para o fato de a crise da meia-idade não estar relacionada ao aparecimento de patologias. "A ligação não é assim tão clara. Transtornos compulsivos são mais graves e, apesar de virem à tona por volta dos 30 anos, os comportamentos se iniciam muito antes. No caso de uma viciada em compras, geralmente ela já pediu ajuda, se reergueu e voltou a gastar novamente até que família e amigos começaram a cobrar uma postura diferente", disse, alertando que homens compram tanto quanto as mulheres e o comportamento compulsivo é semelhante em ambos os sexos, além do que a mulher busca mais ajuda.
Apesar de não haver hoje uma diferenciação tão clara sobre a faixa etária que define a meia-idade, o assunto já foi tratado em livros e a crise encontra alimento não na chegada a uma certa fase da vida, mas tem a ver com a maneira como se encara o mundo.
James Hollis, autor do livro "The Middle Passage: From Misery to Meaning in Midlife" (O Caminho do Meio: Da Miséria ao Sentido na Meia-idade) aponta que a crise não é tanto questão de idade.
Ele acredita que os primeiros sinais podem ser percebidos na entrada dos 30 anos, no fim do primeiro período adulto, quando desaparecem pensamentos característicos da infância, como sonhos de ser imortal, ser famoso ou ser astronauta, por exemplo, e de pensamentos heroicos.

Sonhos

Perceber que sonhos e desejos não passavam de fantasia e ter de perceber a realidade é o primeiro baque e que mesmo que se faça tudo certo, seja bom, a vida não é só felicidade.
Além disso, é comum começar a se perguntar quem você é, questionar as decisões até agora e se perguntar o que sonhou para essa outra fase da vida.
No entanto, o especialista diz que é possível encarar as mudanças de maneira positiva, pensando nas escolhas feitas, no impacto sobre os outros e sobre o que se quer fazer de agora em diante na vida.Otimismo
De acordo com pesquisas, uma das principais diferenças entre homens e mulheres em relação à crise da meia-idade é que as representantes do sexo feminino têm esperanças sobre o futuro.
Recuperadas do choque inicial, tendem a encarar as mudanças como desafios e até como oportunidade.
No livro "In The Breaking Point: How Female Midlife Crisis Is Transforming Today's Women" (O Ponto Crítico: Como a Crise de Meia-idade Está Transformando as Mulheres de Hoje), a autora Sue Shellenbarger aponta que a resposta da mulher é sempre positiva.
Para a especialista, algumas reações que garantem sucesso na empreitada são parar de se preocupar tanto com os outros e passar a assumir mais riscos em suas próprias vidas.
Um dos principais benefícios da nova atitude é a recuperação da identidade, pois depois de tantos anos cuidando dos outros, colocando suas necessidades na frente das suas, a mulher chega a um ponto de não saber mais quem é.

Fonte: Michelle Achkar - Mulher Terra

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